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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Causas da morte dos reis de Portugal

"Entre os 34 reis que ocuparam o trono português, um somente atingiu e excedeu os 80 anos de idade: a raínha reinante, D. Maria I, sómente outros três atingiram e excederam os 70 anos: D. Afonso I, D. João I e Filipe II de Espanha(...)”.

 1ª Dinastia:

      










- D. Afonso Henriques, senilidade,  morre com 76 anos, encontra-se sepultado na Igreja de 
  St.ª Cruz de Coimbra;
- D. Sancho I, lepra (?), morre com 57 anos, encontra-se sepultado na Igreja de St.ª Cruz de 
  Coimbra;
- D. Afonso II, lepra, morre com 38 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Alcobaça;
- D. Sancho II, lepra (?), morre com 45 anos, encontra-se sepultado na Catedral de Toledo;
- D. Afonso III, reumatismo, morre com 69 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de
  Alcobaça;
- D. Dinis, (?), morre com 64 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Odivelas;
- D. Afonso IV, (?), morre com 67 anos, encontra-se sepultado na Sé de Lisboa;
- D. Pedro I, epilepsia, morre com 47 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro de Alcobaça;
- D. Fernando, tuberculose, morre com 38 anos, encontra-se sepultado na Igreja de 
  S. Francisco de Santarém.

(média dinástica de vida 56 anos).

2ª Dinastia:

  










- D. Joao I, senilidade, morre com 76 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
- D. Duarte, peste, morre com 47 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
- D. Afonso V, psiconeurose, morre com 49 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da     
  Batalha;
- D. João II, nefrite, morre com 40 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro da Batalha;
- D. Manuel I, peste, morre com 52 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos Jerónimos;
- D. João III, trombose cerebral, morre com 55 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos    Jerónimos;
- D. Sebastião, morte violenta, morre com 24 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos   
  Jerónimos;  
“Ficou tal túmulo no transepto da Igreja dos Jerónimos, do lado da Epístola, onde se vê
ainda hoje (...)”. 
“ Que o sebastianismo se instaurasse como uma espécie de religião patriótica, enquanto
durou o cativeiro espanhol, compreende-se. Mas que ele se mantenha durante quatro
séculos, aguardando-se a manhã de nevoeiro em que o infeliz monarca há-de surgir, isto é que já custa a compreender”.
“Desde o milagre de Ourique (...) desde o envenenamento de todos os filhos do infante
D. Pedro até ao carácter intriguista e maldoso do 1º Duque de Bragança, oqual “com
certeira seta matou o seu irmão, D. Pedro”, em Alfarrobeira; desde o feitio “justiceiro do
sanguinário D. Pedro I até à ineficácia das vastas reformas pombalinas, a nossa História
anda cheia de lendas e de especulações, que cumpre eliminar.” 
- D. Henrique, tuberculose, morre com 68 anos, encontra-se sepultado no Mosteiro dos  
 Jerónimos. 
(média dinástica de vida 51 anos). 

3ª Dinastia: 
Dinastia de Habsburg; reis castelhanos,
- Filipe II, gota, morre com 71 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial;
- Filipe III, erisipela, morre com 43 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial; 
- Filipe IV, neurastenia, morre com 60 anos, encontra-se sepultado no Panteão do Escorial.   
(média dinástica de vida 58 anos). 

4ª Dinastia:
 

  










- D. João IV, litíase vesical, morre com 52 anos, encontra-se sepultado no Panteão de
  S.Vicente de Fora;
- D. Afonso VI, tuberculose, morre com 40 anos, encontra-se sepultado no Panteão de   
  S.Vicente de Fora;
- D. Pedro II, Tuberculose? Sifilis? *, morre com 58 anos, encontra-se sepultado no Panteão 
  de S. Vicente de Fora;
- D. João V, epilepsia, morre com 61 anos, encontra-se sepultado no Panteão de S. Vicente
  de Fora;
- D. José, trombose cerebral, morre com 63 anos, encontra-se sepultado no Panteão de 
  S.Vicente de Fora;
- D. Maria I, psicopatia, morre com 82 anos, encontra-se sepultada na Basílica da Estrela
- D. João VI, envenenado, de acordo com recentes investigações (ano de 2000) 
  realizadas  por especialistas às vísceras do rei *, morre com 59 anos, encontra-se 
  sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
- D.Pedro IV, tuberculose, morre com 36 anos, encontra-se sepultado na Catedral de

  Petropólis;
- D. Miguel, edema pulmonar? enfarte do miocárdio?*, morre com 64 anos, encontra-se

  sepultado no Panteão de S. Vicente de Fora;
         










- D. Maria II, parto distócico, morre com 34 anos, encontra-se sepultada no Panteão de   
  S.Vicente de Fora;
- D. Pedro V, febre tifóide, morre com 24 anos, encontra-se sepultado no Panteão de   
  S.Vicente de Fora;
- D. Luís, neurosífilis*, morre com 51 anos, encontra-se sepultado no Panteão de 
  S. Vicente de Fora;
- D. Carlos, morte violenta, morre com 45 anos, encontra-se sepultado no Panteão de  
  S.Vicente de Fora;
- D. Manuel II, edema da laringe, morre com 43 anos; encontra-se sepultado no Panteão de    S. Vicente de Fora. 
(média dinástica de vida 51 anos). 
(ref.  “Causas de Morte dos Reis Portugueses”, J.T.Montalvão Machado)  
* In  “A Doença e a Morte dos Reis e Raínhas da Dinastia de Bragança” - José Barata.


domingo, 3 de março de 2013

Bento XVI e Gregório XII - Duas resignações

                                              Os papas de Avinhão e de Roma (1378-1417)    


À morte de Gregório XI (papa de 30 de Dezembro de 1370 a 27 de Março de 1378, de naturalidade francesa e com residência em Avinhão), o Conclave, reunido sob fortes e violentas pressões populares contra o predomínio dos legados franceses e reclamando um papa romano ou, pelo menos, italiano, elegeu o arcebispo de Bari, Bartolomeu Prignani sob o nome de Urbano VI

                                                                    St.ª Catarina e Gregório XI

                                                     A Europa estave em guerra, a Igreja também.

                      
                                                  O Papa Urbano VI assediado no castelo de Nocera

As dúvidas quanto à legalidade da eleição e discutíveis nomeações cardinalícias, que reduziam a representação francesa no Sacro-Colégio, conduziram à revolta de treze cardeais franceses que declararam anticanónica a eleição de Urbano VI e elegeram como papa o cardeal Roberto de Genebra, o qual tomou o nome de Clemente VII. 
Era o “Grande Cisma do Ocidente” que durou mais de 52 anos e só terminou com as decisões tomadas no Concílio de Constança (1414 -1418).

                                                      Urbano VI                                   Clemente VII

Os cardeais partidários de Clemente (que se instalou em Avinhão) visitaram os diversos reinos cristãos defendendo a sua legitimidade. 
Conseguiram-no com Carlos V de França acompanhado pelas casas reinantes das nações suas aliadas, nomeadamente pela Espanha (Henrique II de Trastâmara) e pela Escócia.
A Itália, o Império, as nações escandinavas, a Hungria e a Inglaterra (Edward III), apoiaram Urbano VI, tal como Portugal desde D. Fernando. 

(” D. Lourenço, arcebispo de Braga e 86º primaz das Espanhas, apresentou-se à frente do exército de D. João com armadura completa e, trazendo uma cruz alçada, abençoou os combatentes, prometendo absolvição em nome de Urbano VI, a todos os que combatessem contra os cismáticos castelhanos, partidários do anti-papa Clemente VII (...)  após as acções de bom pastor, passou o arcebispo às de bom cavaleiro....morreu na batalha (Aljubarrota) e foi sepultado na Sé de Braga em 1397; o seu actual monumento é do ano de 1663 e foi erigido por um dos seus sucessores..nunca se pôde saber com certeza o nome da família deste célebre príncipe da Igreja” ). ~

Em Avinhão, a Clemente VII sucederam Benedito XIII, Clemente VIII, Benedito XIV.
Em Roma, a Urbano VI (1378-1389) sucederam Bonifácio IX (1389-1404), Inocêncio VII (1404-1406), Gregório XII (1406-1415).

Era uma situação que não se podia manter e, após a recusa de Gregório XII em encontrar-se com Benedito XIII, as discussões conduzidas pela Universidade de Paris concluíram pela deposição de ambos os papas por um Concílio.
Assim, no Concílio de Pisa em 1409, foram declarados depostos os papas de Roma e de Avinhão. No seu lugar foi eleito um cardeal grego que tomou o nome de Alexandre V.
À sua morte, passado apenas um ano, o seu colégio cardinalício elegeu o papa que se designou como João XXIII.



Ficavam assim estabelecidas não duas, mas três obediências, que nem as negociações, nem as
pressões política e religiosa conseguiam desfazer.
Finalmente, por iniciativa do Imperador Segismundo e do “antipapa” João XXIII, foi convocado o Concílio de Constança (1418-1419), com o apoio de Gregório XII (Roma) e a oposição de Benedito XIII (Avinhão). Este Concílio revelou-se um acontecimento único na história da Igreja, porque, na ausência de um papa indiscutível, foi dirigido pelos príncipes cristãos (nomeadamente pelo Imperador) e assim se criou um precedente importante, o do poder do Concílio, abrindo caminho à discussão sobre a supremacia do poder papal.
Gregório XII abdicou, João XXIII foi deposto tendo ficado cardeal e Benedito XIII refugiou-se na sua fortaleza aragonesa, recusando abdicar e criando com elementos da sua família uma cúria que nomeou os seus dois sucessores.
Foi eleito e reconhecido por toda a cristandade o cardeal romano Oddone Colonna que tomou o nome de Martinho V (1417-1431).


                                                      Eleição de MartinhoV. "Habemus Papam"
                  

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Ossadas e tecnologia



D. Sebastião e Ricardo III

Há uns anos, em conversa com um grupo de amigos, afirmei, frente a incredulidade geral, que D. Sebastião se encontrava sepultado no Mosteiro dos Jerónimos (no transepto estão os túmulos de D. Sebastião e do Cardeal D. Henrique).  
Que não, que não, que o seu corpo nunca tinha sido encontrado nos campos de Alcácer Quibir. Que o que estava nos Jerónimos não era D. Sebastião.
Insisti até ao admissível pela boa educação porque tive vontade de exclamar “ignorantes”. Mas lembro-me de ter dito “hoje em dia é facílimo: bastaria um teste de ADN ...”.
Depois, não esqueci que uma investigadora da Universidade de Coimbra quis investigar o túmulo de D. Afonso Henriques o que lhe foi negado, à última hora, pela direcção nacional do IPPAR, cujo porta-voz esclareceu que as razões do indeferimento seriam explicadas em comunicado (o qual desconheço por eventual distracção minha). 
O túmulo da igreja do Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, guarda duas pequenas urnas de madeira, uma sobre outra. , a segunda urna deve ser da mulher de D. Afonso Henriques, D. Mafalda. Em 1515, os restos mortais dos monarcas foram transladados para o novo túmulo, que ficaria na nave da igreja. Entre 1522 e 1530, foram de novo transladados, para a capela-mor, onde se encontram actualmente. 
Mas, em vez da invocação da “modernice ADN”, deveria ter remetido para o livro, interessantíssimo e esclarecedor, sobre “D. Sebastião, rei de Portugal” da autoria de Antonio VillaCorte Baños e publicado pela “Esfera dos Livros”.
Como, em muitas ocasiões o bom senso aconselha, “encostei-me às boxes” e deixei correr a sabedoria e as convicções dos meus amigos.
Eis que, anos passados (“anteontem”), fiquei satisfeito (feitios...) com uma notícia amplamente divulgada pelos media relativa à identificação de personalidades históricas e sobre o que a moderna tecnologia permite na reconstrução em carne de ossadas, o que me impressionou muito menos.
Refiro-me ao rei Ricardo III de Inglaterra.
Morreu na batalha de Bosworth (“Guerra das Rosas”) derrotado por Henry da casa de Tudor, embora com relevante superioridade numérica não sendo de afastar a hipótese de traição por parte dos seus aliados.
Em Agosto de 2012, a Universidade de Leicester anunciou que, juntamente com o “City Council” e a fundação Ricardo III, iria proceder a escavações no local da igreja de Greyfiars,
demolida no tempo de Henrique VIII (1509-1547) com o objectivo de localizar os restos do rei
Ricardo III (último rei plantageneta, último rei inglês a morrer em batalha, último da casa de
York, que reinou de 1483 a 1485) ali enterrado apressadamente e sem pompa. 

Em Fevereiro de 2013 foi confirmada que uma ossada ali descoberta era a de Ricardo III por
correspondência com o ADN de um descendente da sua irmã Ana de York, um marceneiro
canadense.

D. Sebastião morreu em 1578, cerca de cem anos após Ricardo III (contemporâneo do nosso D. João II) e interrogo-me porque razão não haverá ainda por aí alguém com sangue dele (tinha ascendência muito numerosa em Portugal e Espanha) e acabar de uma vez por todas com o mito de ele “aparecer numa manhâ de nevoeiro”...
De Ricardo III, com má fama sobre o seu carácter, têm-se descrições fidedignas sobre o seu físico. Era, segundo Thomas More (1519), coxo e de braços desequilibados e, na peça de Shakespeare, : “...Now is the winter of our discontent...I that am curtail´d of this fair proportion, cheated of feature by dissembling nature, unfinish´d send before my time…and so lamely and unfashionable that dogs bark at me as I halt by them…and descant on my own deformity…
(Ricardo III sofreu aos 12 anos de escoliose genética e  degenerativa que se traduziu numa corcunda e num ombro direito muito mais alto do que o esquerdo). 
 
http://en.wikipedia.org/wiki/Richard_III_of_England 
Sabe-se como Ricardo II morreu (cortado aos bocados com o crâneo esfaqueado e esfacelado) e esse facto foi comprovado pela investigação arqueológica das suas ossadas.
D. Sebastião?
Também se sabe como morreu e qual o aspecto do seu cadáver.
Então o que falta?
Um marceneiro?


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cinco Figuras da História



                                          Sócrates, Alexandre, César, Jesus, Maomé


Sócrates era calvo,  feíssimo, barrigudo, de nariz achatado e narinas abertas, lábios espessos e olhos esbugalhados. Tinha o aspecto de imbecil anormal. A sua apresentação era sempre modesta, não só porque era pobre mas, sobretudo, porque era simples Socrates era corajoso e tinha uma invulgar paciência e um notável autodomínio. Conviva agradável e jovial, bebia muito mas sempre sem se embriagar. Não era colérico nem irritável. 
Ao darem-lhe um dia uma bofetada respondeu calmamente: “É muito aborrecido não saber quando é necessário pôr um capacete antes de sair”, ou quando o pontapearam: Mas então, se fosse um burro que me tivesse dado um pontapé eu processava-o?”


Alexandre o Grande tinha o corpo de um atleta. A sua beleza era célebre O seu rosto, branco e rosado, tinha uma aparência de indolência. Os seus cabelos espessos e encaracolados eram de um louro dourado e descobriam uma testa larga e ligeiramente abaulada. Os seus olhos eram azuis e lançavam um estranho olhar devido ao facto do olho direito ser mais escuro do que o esquerdo. O nariz era direito e no prolongamento da testa. Tinha uma expressão severa, quase feroz. Contrariamente ao costume da época, muito em particular na classe militar, fazia a barba. Falava sempre muito depressa como se o tempo fosse precioso e tivesse muito para dizer. Tinha o hábito de manter inclinada a cabeça para o lado esquerdo. Bebia rápida e enormemente. Dormia excessivamente. Era pouco atraído pelas mulheres.
Excepcional cavaleiro, corredor e caminhante infatigável de passada insolitamente rápida. Aliava a uma grande força uma inacreditável resistência. Muito ardente, enérgico, perseverante e de uma obstinada tenacidade. Era valente até à total inconsciência. De uma megalomania arrogante, as suas qualidades de chefe eram incomparavelmente superiores à sua visão da táctica militar.
Tinha uma elevada opinião de si próprio, fanfarrão e incansável falador. Tinha uma forte tendência para a crítica e não tinha sentido de humor ou de ironia. Excepcionalmente dotado do sentimento divino, místico e muitíssimo supersticioso (a questão de se saber se era são de espírito foi frequentemente debatida pelos eruditos). 
De notórias insuficiências intelectuais, muito ignorante da geografia e da natureza humana, tinha, no entanto, um gosto natural pela literatura e pelo estudo. Lia muito. 


César era de estatura acima da média dos seus contemporâneos romanos. Precocemente calvo, tinha uma testa alta, um rosto pálido e ligeiramente alongado, olhos negros e penetrantes, nariz aquilino e um pouco grande, uma boca larga de lábios finos e de cantos ligeiramente descaídos. Embora de constituição delicada e de saúde frágil, tinha uma extraordinária forma física obtida por contínuo exercício e treino. 
O seu valor em combate era excepcional, valente até à temeridade. Implacável conquistador mas generoso para com os vencidos. Era adorado pelos “seus” soldados. De temperamento tranquilo e pensativo, de inteligência lúcida, penetrante e firme. Não castigava sob cólera. Era proverbial a sua rapidez na tomada de decisões, nunca cedendo à impulsividade.
Não era homosexual, falsidade muito insinuada pelos seus inimigos e que motivava a gargalhada das suas tropas. Pelo contrário, gostava muito de mulheres, sobretudo as dos outros.
Desprezava o dinheiro. Sofria do estômago, era sujeito a crises de epilepsia.


 Maomé era de estatura inferior à média e de fraca constituição. De cabeça grande, olhos negros, nariz direito, dentes afastados e barba espessa. De mãos e pés grossos e articulações imponentes. Era muito peludo e a sua pele era clara, rosada. O seu cabelo era negro e  comprido, o que lhe permitia enrrolá-lo em duas ou três dobras. Cobria-se de perfumes, tingia o cabelo e pintava os olhos.  
A sua imagem constava inicialmente no escudo das suas tropas, mas, posteriormente, foi proibida qualquer representação do seu rosto.
Era de temperamento sábio, embora impressionável, inquieto, nervoso e frequentemente colérico. Embora com particular sentido de humor, nunca se ria em público, mantendo uma impassível dignidade. Era vaidoso e imensamente orgulhoso. Sofria de epilepsia.



Sabe-se que Jesus gostava da discussão, de comer, da companhia das mulheres. Mas Jesus não tem rosto e nenhuma memória do seu aspecto ficou registada. Ninguém sabe se era alto ou baixo, moreno ou loiro, gordo ou magro, belo ou feio. Durante séculos, milhares de pintores deram dele inúmeras representações que nos dão a ilusão de o terem visto. 
O “sudário“ de Turim deu uma  fascinante, mas falsa imagem de Jesus. Revelado por uma fotografia de 1898, a sua datação pelo carbono 14, feita a pedido do Vaticano, apenas confirmou o que já se sabia desde o final do século XIV por dois bispos de Troyes, região onde apareceu: data do periodo de 1260-1390 e não dos anos 30 da nossa era.


     
                                                                    

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A língua portuguesa


As estatísticas da UNESCO indicam que o português é a sexta língua mais falada no mundo e que entre as 6,7 mil linguas vivas no mundo, apenas é superada pelas línguas mandarim, hindu, castelhano, inglês e bengali. É, juntamente com o castelhano, a língua com maior potencial de crescimento.


















Segundo aquela instituição, o número de falantes de português é, actualmente ,de cerca de 200 milhões, número 70 vezes superior ao do século XVI no qual a língua portuguesa era utilizada, na sua forma arcaica, apenas por 3 milhões de pessoas. 
O português é a língua oficial de dez países: Angola, Brasil Cabo  Verde, Guiné-Equatorial, Guiné-Bissau, Macau (juntamente com o chinês), Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. 
O “Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa” inclui 228.500 entradas, 415.000 sinónimos, 26.400 antónimos e 57.000 formas arcaicas.
A palavra mais comprida da língua portuguesa (46 letras) é:
 
Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconitico 

a qual significa: (pneumo- + -ultra- + microscópico + latim silex, -icis, pedra, pedra vulcânica + latim vulcanus, -i, fogo + coniose) s. f. Doença pulmonar causada pela inspiração de cinzas vulcânicas. 

Nos séculos XII e XIII, o galego e o português eram a mesma língua e em 2100 vocábulos do português primitivo, 1200 são latinos (57%), 800 árabes (38%) e 100 germânicos (5%). 

 

Posteriormente e como resultado do processo nacionalista que criou a Espanha, o português adquiriu a natureza de língua nacional e o galego, que nunca foi normalizado ou legalizado, limitou-se à Galiza. Foi cada vez mais substituído/alterado pelo castelhano, em particular a partir do segundo quartel do século XX, tendo o seu uso desaparecido nas prosas legal e literária.

 

Recentemente, a língua portuguesa sofreu em Portugal um grave desastre com o denominado
“Acordo Ortográfico”.
“Acordo” entre quem? Por vontade de quem?

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os irmãos de Jesus



“A questão da existência de irmãos de Jesus é um problema para o dogma católico, não é um problema histórico.” 

Consoante se adere ou não ao dogma da virgindade de Maria, assim é ou não pertinente a questão de saber se Jesus teve irmãos e irmãs. A Santa Família é um ícone caro ao catolicismo que deixou sempre de lado aquela questão, obviamente embaraçosa.
No entanto, a questão dos laços de sangue nunca colocou qualquer problema teológico aos discípulos de Jesus, aos seus sucessores ou aos primeiros cristãos e isto até meados do séc. IV quando a polémica se levantou entre os doutores da Igreja e se arrasta até aos dias de hoje.
Não são apenas os Evangelhos apócrifos que referem os irmãos e irmãs de Jesus, são também os canónicos e os Actos dos Apóstolos que o afirmam. Nestes, embora as irmãs fiquem no anonimato, os irmãos têm nome. O que é surpreendente não é o facto de Jesus ter tido irmãos, mas sim que os Evangelhos não procurem escondê-lo e que o papel desses irmãos tenha sido menor e pouco lisonjeiro: alinham, sem qualquer espírito de família, com os adversários de Jesus e, contrariamente aos discípulos, manifestam indiferença e hostilidade.
“É louco“ (Mc. III, 21), “não acreditavam nele“ (João VII, 5). A sua mãe, irmãos e irmãs declaram que perdeu o juízo e tentam prendê-lo (Marco III, 21). 
A concepção “miraculosa” de Jesus constituirá ao longo dos séculos uma parte essencial da doutrina oficial da Igreja católica. No concílio de Éfeso, em 431, Maria será designada como Mãe de Deus, consolidando-se progressivamente a crença de que foi preservada desde o seu nascimento do pecado original, o que acabará por ser o dogma da Imaculada Conceição proclamado apenas em meados do séc. XIX pelo papa Pio IX (Bula "Ineffabilis Deus"). 
Jesus não era da família de David (outra das imposições das Escrituras para o messias) e nasceu do povo, de família muito humilde e numerosa? Ou, pelo contrário, descendia de David como é referido nos evangelhos sinópticos (por ser filho de José) e no Corão (por ser filho de Maria)?     
             


Igreja de Chora, Istambul. 
Ascendência de Jesus desde Adão.      



           


               Basílica de St. Denis, Paris.
               Ascendência de Jesus desde Jesse. 





Jesus (alteração de Yeshua e Isa em árabe) era o filho mais velho de Maria (Lucas II, 7), tinha
irmãs que viviam em Nazaré (Marco VI, 3, Mateus XIII, 56) e irmãos dos quais quatro são nomeados nos Evangelho de Marcos (VI, 3) e de Mateus (XII, 55): Tiago, José, Judas e Simão. Os irmãos de Jesus são objecto de referência explícita em documentos do Novo Testamento. Para além dos Evangelhos (Marco III, 31; Mateus XII, 46, Lucas VIII, 19; João VII, 3) são referidos nas Epístolas de Paulo (Gálatas I, 19; Coríntios IX, 5): “Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor” e nos Actos dos Apóstolos (I, 14). 
 

                                        







  
            O apóstolo Pedro  
                                                                          
                                                                         
                                                                                                       Tiago, "O Justo" 
Pode imaginar-se o círculo íntimo ou próximo de Jesus (se se ultrapassar a questão de saber até que ponto e em que medida uma família judia podia, no 1º século, conhecer com precisão a sua genealogia após a destruição dos arquivos por Herodes).
O seu pai José (João I, 45; VI, 42) morreu antes que Jesus tivesse qualquer actividade pública (dos seus 28 aos seus 30 anos) e teria tido sete filhos de Maria (ou também de Escha – prima de Joâo Baptista - e de Salomé?) (Augsburg Fortress 1995 ed. “Evangelical Lutheran Church in America”; "From Jesus to Christ: Jesus' Family Tree"):


Segundo esta interpretação protestante baseada em referências do Novo Testamento e dos antigos historiadores Josephus e Eusebius (Jesus and His World de John J Rousseau e Rami Arav, Augsberg Fortress 1995) - a qual, embora interessante, deve ser encarada com reserva -, Maria e José tiveram após Jesus mais filhos e filhas nascidos, pelo menos, durante um período de 12 anos após o nascimento de Jesus.
Jesus, Tiago (“O Justo, ”futuro bispo de Jerusalém e “pilar da Igreja“ segundo Paulo - Gál.II, 9), Judas e José e duas filhas Lysia e Lídia (ou Salomé e Ana?). Há outro Tiago, Tiago “o Maior” que se julga estar sepultado em Compostela.
Em conformidade com o direito judeu do “levirate“, o seu irmão mais novo Cleofas sucedeu-lhe como chefe da família casando com a sua viúva (Maria ou Salomé?) e tendo dela Simão (por esta circunstância irmão e primo de Jesus). Os filhos de José e de Cleofas exigiriam para uma cabal identificação uma referência ás mães, mas, na tradição judaica, o filho é identificado com referência ao nome do pai e nunca ao da mãe o que torna de certo modo surpreendente que Jesus fosse conhecido como “filho de Maria“ (Mc. VI, 3). 
O relacionamento de Jesus com a sua mãe é, de acordo com as escrituras, de uma brutalidade que não pode deixar de espantar. Quando a ela se refere é sempre de modo negativo e hostil: “Quem são minha mãe e meus irmãos?” (Mc. III, 6). No caminho para Jerusalém, Jesus cruza-se com uma mulher que louva a sua mãe: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe (…) mas Ele disse: antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus...” (Lc. XI, 27, 28). Quando a ela se dirige, Jesus trata-a asperamente. Nunca a chama “mãe” mas sempre “mulher“, como se tratasse de uma escrava ou de uma criada: “Mulher que tenho eu contigo?...” (João II, 3). 
Maria tinha, eventualmente entre outras, duas irmãs, uma também chamada Maria, mulher de Alfeu, e outra Salomé, mulher de Zebedeu (Marco XV, 40; Mateus XXVII, 56; João XIX, 25). Estas irmãs eram mães de discípulos de Jesus: Tiago “o pequeno“ e Tadeu (ou Judas) filhos de Maria; Tiago e João (o discípulo “favorito“?) filhos de Salomé. 
Estes primos tomaram o nome de “irmãos do Senhor“, acompanharam-no sempre e foram os seus primeiros discípulos. 

O mundo de hoje e de ontem não seriam o que são e o que foram sem Jesus, o qual, no que se refere á influência de uma personalidade e doutrina, é uma figura ímpar na História da Humanidade. 
A questão apresenta uma desconfortável dualidade: coloca-se simultaneamente nos terrenos da História e da Fé, o que torna particularmente delicada qualquer conclusão, ou mesmo qualquer simples comentário ou interrogação, porque quem a eles se atreve corre o risco de desagradar ao historiador ou de ofender o crente ou de merecer o desprezo de ambos.

Lembra-se, a propósito, Lucas (II, 34):  

“...Ele será um sinal de contradição...”.