quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O populismo na política.


                     


Os movimentos populistas, que começam a proliferar mundo fora, são conotados pelos bem-pensantes jornalistas e políticos com a extrema direita (o que é incorrecto, como a História comprova, porque estão não só do lado direito do espectro político mas também no da esquerda) e apontados como perigosas associações.
Como o nome indica, apelam ao voto do povo, do cidadão comum descontente com o comportamento das elites políticas e revoltados pela sua indiferença quanto aos seus anseios. Sublinham que, tal como o povo, não fazem parte das élites corruptas do poder.
A existência dos coletes amarelos em França e a sua violenta oposição a Macron e à sua política é um bom exemplo do que é um movimento populista inorgânico.
No entanto, na Europa dos anos 60 já esses movimentos estavam organizados em partidos políticos e, no início do século, criou-se uma bola de neve anti-situação que conduziu alguns daqueles partidos ao sucesso eleitoral: na Grécia o Syrisa obteve 36 % dos votos em sucessivas eleições, o Ukip empurrou a Grã Bretanha para o Brexit e, em França, Marie Le Pen concorreu às eleições presidenciais obtendo 33% dos votos.
O apoio popular aos partidos populistas na Europa triplicou nestas últimas duas décadas, foi catalisado pelo colapso financeiro de 2008 e pela crise dos refugiados de 2015 e alguns dos desenvolvimentos políticos recentes mais significativos, como o referendo do Brexit em 2016 e a eleição de Donald Trump em novembro do mesmo ano, não podem ser compreendidos sem levar em conta a ascensão do populismo.
E, assim, eles aí estão com maior ou menor poder, com maior ou menor protagonismo político e amedrontando ou preocupando os cidadãos defensores do status-quo partidário.
A sua representação era em 1998, altura em que estes partidos eram apenas "um fenómeno das margens políticas", de 7% em todo o continente europeu, mas no início do século proliferaram situando-se hoje nos 25%. 
Na Europa, esses partidos assumem actualmente particular relevância em Espanha, em França, na Polónia, na Hungria, na Bulgária e em Itália, havendo três países imunes à penetração das forças populistas: Letónia, Estónia e Portugal.
O fenómeno não é exclusivamente europeu. Foram eleitos “populistas” para cargos políticos em 5 das 7 maiores democracias, como a Índia, os EUA, o Brasil, o México, as Filipinas.
Os modos de governação são imutáveis? Leia-se a História: monarquia, ditadura, democracia, autocracia, houve de tudo e tudo teve na sua altura o apoio dos povos.
A democracia é a melhor forma de governo ou, de acordo com Winston Churchill, é a pior com excepção de todas as outras?
Tudo é mudança e os partidos designados como populistas são uma delas e respondem a escondidos desejos de eleitores muitos dos quais se envergonham ou têm medo de os confessar.
Para informação mais desenvolvida e detalhada consulte-se “The Guardian” de 20 Novembro 2018:



sexta-feira, 28 de junho de 2019

O automóvel mata a cidade.



O homem está a matar o planeta Terra.

São os plásticos, a desflorestação, a caça e a pesca de espécies animais em vias de extinção, a exploração não controlada das matérias prima, a poluição.
Tudo com o real alheamento das autoridades nacionais e mundiais. Que sim, que vão implementar medidas legais adequadas, garantem eles em conferências internacionais mas tudo fica na mesma.
O nível de CO2 na atmosfera aumenta com uma velocidade reconhecidamente catastrófica, o degelo já visível e comprovado das calotes nos dois polos da Terra atinge proporções alarmantes, a desertificação de largos territórios avança com o encolher de ombros de responsáveis, os violentos fenómenos atmosféricos ocorrem com inabitual frequência semeando morte e destruição posteriormente por eles lamentados.
Tudo, com a indiferença e complacência dos líderes mandantes. Porquê? Porque há interesses mais altos. Os do dinheiro, como é o caso dos estados ocidentais, e os do poder, como se passa com a China cujo objectivo é restabelecer um domínio à escala planetária económico e militar. Lá chegará no curto/médio prazo.
O predomínio da Europa já lá foi e o dos EUA para lá caminha.
E nas cidades europeias, o que acontece? A poluição que não é de hoje (recorde-se o “smog” britânico – smoke+fog – resultado do domínio da exploração do carvão associado a muito específicas condições climáticas) é hoje agravada pela tecnologia associada à energia de origem fóssil e à invasão incontrolável dos veículos automóveis.
O aumento da circulação automóvel é enorme e as suas consequências no ambiente é tal que promoveu tecnologias, nomeadamente no tipo de energia utilizado, no passado demasiado cara para ser estudada e implementada e hoje já não: em vez do petróleo a electricidade. Eis a solução defendida pelos mandantes, desde os autarcas aos governos.
Os carros movidos a electricidade tiveram nos últimos tempos um desenvolvimento espectacular e são hoje, pelo seu ainda elevado preço, um símbolo de importância social. Em torno dele desenvolvem-se problemas muito particulares mas ainda não resolvidos: autonomia, rede de abastecimento. Imagine-se o que seria para o comum dos automobilistas estar limitado a uma viagem, da ordem de 300 km e, no final, não ter ou ser difícil atestar o depósito do seu carro.
É a solução? Não.
A solução reside em bons transportes públicos e na minimização da utilização do automóvel que, no curto prazo, não perderá o seu carimbo no estatuto social.
Interesses há muitos e muito poderosos: a utilização do “meu automóvel” continuará mesmo que ela esteja a matar a cidade e está.