segunda-feira, 8 de abril de 2019

Palermas.


        
                                        (in Facebook)
Este país está cheio de governantes palermas. Cheio deles.
Mas “palerma” significa “estúpido”?
Fui ver e do que li gostei dos termos “panhonha”, “pateta”.
Ou seja, quando se utiliza o adjectivo “palerma” (o que ocorre ao espírito com uma frequência assustadora) ao assistir a debates parlamentares ou a certas comissões de inquérito (como a do revisor oficial de contas da CGD que revelou ser simplesmente estúpido) não se quer dizer “estúpido”, embora possa ser uma designação aplicável de acordo com o que consta nalguns dicionários (*).
O país não sofre de governantes estúpidos mas “simplesmente” à frente dos nosso destinos estão “panhonhas” e “patetas”, podendo ser “inteligentes” ou “espertos” com estranhas, demasiado próximas e numerosas ligações familiares.
Os palermas são animais que passaram a ser endémicos neste país, como, por exemplo, é o caso dos pombos que no passado eram muito queridos e hoje são "endémicos", uma praga.
Que saudades que eu tenho das joaninhas, dos pirilampos, dos grilos, das borboletas, dos burros! Eram “endémicos” do meu tempo da juventude, embora os burros (“chicos espertos” como se dizia no meu tempo de tropa) ainda andem por aí mas com outras roupagens.



(*) - “Palerma”: pessoa que é pouco inteligente, estúpido, idiota, imbecil, lerdo, papalvo, parvo, tolo, tonto, panhonha, pateta. Sinónimo Geral: panhonha, pateta.




segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Os "amarelentos" em Portugal


O actual sistema politico tem-se revelado como a maior barreira à resolução dos problemas que afligem os cidadãos. Na justiça, na saúde, na economia, na educação, para só citar quatro importantes sectores.
Especialistas em ciência política, comentadores e analistas políticos parecem insinuar que os problemas que diariamente afectam o cidadão são inevitáveis por resultarem do enfraquecimento das instituições ou da incoerência partidária, para não falar da corrupção e dos interesses instalados. 
                              
No entanto, a política é hoje em dia uma indústria com os objectivos e os interesses de qualquer outra indústria, nomeadamente a concorrência e a procura de benefícios próprios. A política deixou de ser organizada para a defesa do interesse público e tende a beneficiar interesses privados que passaram a ser seus aliados e temíveis inimigos.
Pense-se nos resultados das privatizações e na promiscuidade entre as grandes empresas privadas e os cargos do Estado, a que nem sequer escapam membros do governo e deputados.
                            
Os partidos, muito em particular o PS e o PSD, concorrem na divisão do eleitorado e na satisfação de interesses alheios, com base numa ideologia por vezes incoerente e em promessas irrealistas que não tencionam cumprir.
Ano após ano os interesses do cidadão saem frustrados e os principais actores do sistema político mantêm-se, na prática, em lugares que o próprio sistema fiscaliza ou passam a desempenhar altos cargos em empresas que, inclusivamente, tutelaram. Não há vergonha.
Os cidadãos-votantes esperam soluções para os problemas que os afligem. Soluções definidas pelos agentes do sistema político que eles próprios escolheram; soluções viradas para a realidade e não para uma qualquer ideologia; soluções que resultem da avaliação e de um equilíbrio de posições diferentes e eventualmente conflituantes. Tudo isto exige compromisso e concessão e embora a importância da solução possa ser politicamente óbvia ela é raramente implementada quando entra em conflito com interesses partidários ou económicos.
                    
Esta realidade não é só a de Portugal, afecta outros países europeus como, por exemplo a Itália, a Espanha, a França. O que fazer? Protestar com violência e à beira de uma revolução política? Talvez. É o caminho que os coletes amarelos parece terem escolhido em França mau grado a constante ameaça do terrorismo. Após Estrasburgo ficou quase tudo na mesma nas ruas de Paris e de outras grandes cidades francesas. 
E por cá? Somos um povo de brandos costumes, dizem. Não foi o que se verificou após a invasão francesa com a fratricida luta entre D. Miguel I e D. Pedro IV e a guerra civil que a acompanhou. O início do século XX, em particular o período da revolução republicana, ficou marcado por assassinatos políticos  e no passado dia 14 de Dezembro comemorou-se o centenário do assassinato do “Presidente-Rei” Sidónio Pais. A revolução do 25 de Abril teve episódios violentos e esteve-se à beira de uma guerra civil. Onde estão no passado recente os “brandos costumes”?
             
Estão marcadas (publicitadas nas redes sociais, provavelmente pela extrema direita) para o próximo dia 21 (data muito conveniente) manifestações de “coletes amarelos” portugueses, em relação às quais os partidos da esquerda (BE e PCP) se demarcaram imediatamente, e 20.000 polícias já foram colocados em estado de alerta com folgas e créditos horários suspensos. 

O movimento, que se estima ir afectar 17 cidades, ameaça com o corte dos acessos à Ponte 25 de Abril, acusa "os sucessivos governos incompetentes" de terem destruído os sectores primário e secundário e apresenta um extenso “caderno reivindicativo” com exigências de implementação “imediata”.

Delas, destacam-se o fim dos impostos sobre os produtos petrolíferos, o corte para metade do IVA sobre os combustíveis e gás natural, a redução das taxas sobre a electricidade, a concessão de incentivos para as micro e pequenas empresas com a correspondente taxação das grandes empresas, o aumento do salário mínimo nacional, o aumento do subsídio de desemprego, o fim das subvenções vitalícias para políticos, o combate contra a corrupção no Governo, na Administração Pública, nos serviços públicos e nos sectores empresarial e bancário, a redução do número de deputados na Assembleia da República.

Quem é que não concorda?
 

A mancha de insatisfação alastrou-se a Portugal. Será que tem significado? Será que terá consequências? Ver-se-á, mas que o sistema político não está ao serviço dos cidadãos não está. 
 (...ético, honesto e que coloque o interesse público acima dos seus próprios interesses"...)